Ideias de Forno

segunda-feira, 25 de junho de 2012 - Postado por Luiza Drumond às 13:22

Depois de uma dose de secura, você se põe em pés ao chão, ideias já desconexas e uma mente perigosa. O universo feminino é brilhante, dizia um grande amigo que "mulheres é a melhor raça que já existiu e homens que não enxergam essa raça como a melhor, jamais enxergarão a si mesmo." Depois de uma noite cultura e pensamentos evoluídos , penso que homens jamais serão homens sem se enxergarem, porque nós podemos ser quem quisermos se olharmos para nós mesmos. Talvez o reflexo do espelho transpareça algo que nunca fomos e sejamos claros e sinceros, nós mesmos fazemos nossa imagem. Apesar da sociedade estar cada vez mais nos encaixando num padrão humano detestável, ainda existe aquelas pessoas de ideias de forno, novinhas. Talvez loucura e sinceridade não seja tão ruim, talvez para as pessoas de ideia de forno, seja a coisa mais bela e charmosa que podemos encontrar em um ser humano nos dias de hoje. Por isso, meu caro, entenda que sinceridade vem de berço e que charme é somente um quesito a parte.

Cai meia dúzia de vezes na vida, levantei milhões de dúzias por minhas quedas

domingo, 17 de junho de 2012 - Postado por Luiza Drumond às 13:01



Ando parando, vivendo cada vez mais e deixando um eu costumava andar em direção ao precipício, talvez as pessoas estejam comigo ou eu talvez cada vez mais junto a elas. Ando numa fase violeta da vida, tudo rema de acordo, em direção perfeita, em felicidade disparada. Cai meia dúzia de vezes na vida, levantei milhões de dúzias por minhas quedas. Acho que quando a vida começa a fazer sentido, você cresce e talvez quando  felicidade não faz  mais sentindo, você a sente.  

Arquivando

terça-feira, 6 de março de 2012 - Postado por Luiza Drumond às 16:45

Eu estou deprimida sobre tudo e acima de tudo, querendo fugir, Não sei, cá estou forçando-me a me colocar pra fora, cá estou ouvindo a canção predileta e pensando na pessoa certa. Não quero rimas, nem floreios, quero algo que me faça sentir, que me deixe cansada, algo que sugue minhas energias e as reponha no piscar dos olhos. Aqui é um lugar novo, um lugar na qual eu me escrevo pela primeira vez, junto aos pés cansados e olhos tristonhos, tenho um copo vazio e solitário, tenho luzes piscando e um relógio tiquetaqueando, tenho acima de tudo, um vazio. Decidi escrever sem pensar, sem pensar que essas linhas poderiam ir parar em algum lugar, onde terceiros leriam e quem sabe falariam o que tudo aqui lhe transpareceu. Eu tô procurando uma trilha sonora, algo que me faça esvair-me, algo que me faça fluída e clara, algo que talvez fosse minha tradução simultânea. O exercício funciona, a mente também, já faz algumas linhas e eu ainda não paro de pensar na possibilidade de terceiros me lendo. Que tipo de seria? Um drama? Suspense ou terror? Hoje minha irmã me disse que sentira uma vontade de fugir, de sair correndo, e eu jurando não saber por que, perguntei qual seria o motivo. Que ironia, sinto tantas vontades como essas e nunca sei o motivo real. Talvez eu apenas esteja procurando respostas.
Decidi que sempre puder, espero que seja diariamente, escrever aqui para me guardar, para quando a saudade vier vir aqui me ler e me corrigir. Que bom seria se na vida existisse pastas como essa em que eu pudesse abri-la e sempre que quisesse me corrigir, melhorar. Será que meu arquivo seria longo? Bom? Dramático demais ou ruim demais? Meio termo? Ando tão intocável, sinto falta de alguém passando os dedos em meus cabelos, em alguém me dizendo o que quanto bondosa sou (mesmo não sendo tão verdade assim). Sinto em que determinado momento da vida, minha escrita vai parar e que mesmo escrever em arquivos ou praticar a escrita livre como essa, de nada adiantará, sei que em algum momento minha vista cansará, meu cérebro falhará e isso é tão inevitável como a percepção das pessoas sobre mim. Eu não quero me livrar, nem colocar um fim, apenas quero me evitar em alguns momentos, quero entrar em um pensamento onde não há ondas sonoras, onde minha visão seja eternamente turva e assim, descansar em paz e aos poucos, vou me arquivando e me escrevendo...

Coreografando - Continuação

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 - Postado por Luiza Drumond às 11:42

(...)

- Para quê tanto pudor?

Nina se perguntava por que alguém a criara de maneiras tão distintas, qual ser nunca tivera o desejo de se recriar? Minha garota era na medida certa, nem tão breve nem tão duradora. Ah, se Nina soubesse o quanto é bondosa. Ela tinha capítulos, fala soltas e deslizes perdoáveis. Era apesar dos pulsos de passarinho, firme. Tinha um tom de voz delicado apesar da firmeza que transparecia em seus passos. Nina adorava o barulho das teclas que minha máquina de escrever fazia, dizia que era como linhas retas em batidas perfeitas e acentuadas. Apesar dos caroços no coração, a garota com olhos de coruja, rodopiava feito pião dentro de seu vestido branco transparente e suas linhas delicadas e ossos pontudos preenchiam todo aquele espaço vazio em seda delicada...



(...)

Ficava a bailar pela sala de estar em noites chuvosas, para ela a chuva lavava os males da vida. Gostava de tocar piano. Em uma vez, numa dessas noites de ventania, sentou-se no banquinho e começou a deslizar seus dedos pelas teclas, abafando completamente aquele barulho que parecia anunciar o fim do mundo. O som que saía era tão doce, tão sincero e sensível aos ouvidos da pequena que as lágrimas escorriam por sua face como o orvalho escorre pela folha que o vento movimenta. Tudo que Nina fazia tinha um toque de prazer. Na verdade ela criava o prazer de fazer tal coisa. Mas coitadinha, sofria tanto também... Era muito sozinha. Vivia ela e ela mesma dentro de uma casa pintada de branco com móveis feitos de madeira rústica. Vez ou outra batia um calafrio de arrepiar até os cabelos da cabeça. Sentia vontade de ter um alguém como ela por perto para compartilhar suas coisas. Mas o que era possível fazer? Nina amadureceu rápido demais. Quem entenderia uma garota que fazia planos ao ir dormir, que cantava ao vento e dançava ao luar, que gostava de tudo que é antigo? Esse mundo de hoje está evoluído demais, Nina não se sente bem apesar de ser adaptada a ele. Falta o "antigo" para ela.
(Gess Penha)

Coreografando

Postado por Luiza Drumond às 11:40
Tiquetaqueando. Aquela impressão era o compasso perfeito para a aflição, a folha impressa em preto e branco em ritmo das nove horas era apesar de triste, bonita. Transparecia em passos largos as batidas dos passos delicados dos pés de Nina. A impressão nunca tão duradora e feliz continuava enquanto minha garota subia as escadas em passos totalmente coreografados e calculados.
Nina tinha um semblante triste, olhos e coruja e pernas bonitas. Era em mil garotas, uma pluma. Quando sorria meu estômago rugia de ansiedade e anseio por querê-la cada vez mais. Minha garota vivia no “Fantástico Mundo de Nina,” onde o preto e branco era colorido... A garota tinha anseio da vida, queria vive-la e acordar em outra órbita. Apesar da pouca idade, Nina tinha sobre suas bochechas rosadas, olhos vividos e assustados, em sua pele pálida, marcas e vermelhões que formavam uma galáxia inteira, em seus cabelos ruivos histórias encaracoladas. Tinha pulsos de passarinho e mãos bonitas. Eu podia até imaginar as vestias que ela usava enquanto cantarolava e dançava seu balé predileto. Era um ser que pertencia à melancolia, era apesar de triste, bonita. Em seu Fantástico Mundo, Nina tomava seu chá das quatro enquanto as árvores do outono refletiam em sua xícara. Minha garota tinha dons, pintara certa vez em folhas impressas e esmagadas linhas solitárias e tortas. Era uma garota como outra, porém de semblante triste e com olhos de coruja. Nina subia todas as noites às escadas para meu quarto feito uma pluma com passos e assobios ensaiados às noves horas pra me ouvir tocar meus instrumentos de sopro, trazia junto a ela, um peito cheio ao me ouvir, parecia se interessar, mas quando perguntava se queria tentar, voltara a se acanhar.
Nina escrevia todas as manhãs em seu moleskine amarelo vidas que havia perdido e deixado para traz enquanto a brisa batia em seu rosto e enrolava cada vez mais seus cabelos. A garota tinha mãos compridas repletas de arranhões, ela gostava de arrancar os espinhos dos vasos, pois dizia que os mesmo as machucavam. Minha garota era bela quanto por fora, quanto por dentro, tinha anseio em conhecer outro alguém, em dançar em outros lugares, em dar comida a outros pássaros. Nina tinha acima de tudo, vontades, ela queria semear e traçar seu próprio caminho, queria alguém que pudesse conversar todo o dia que fosse seu próprio moleskine. Nina havia se esquecido das escadas e instrumentos de sopro por um momento enquanto pensava sobre suas vontades.
Nove horas. Pude ouvir seus passos na escada, no azul da noite pude sentir a respiração ofegante de Nina e junto aos seus lábios esbranquiçados, seus olhos clamavam por perdão. Minha garganta já seca junto aos meus olhos decepcionados tentei transparecer clamaria, quis aconchegá-la, mas Nina se afastava com tropeços cada vez mais e de repente, num piscar dos olhos, minha garota dá o último tropeço e se joga escadaria abaixo. A garota clamava por alguém que se aproximasse e que a fizesse sentir medo de seus anseios, desejos vontades, Nina foi um sopro num dente de leão que o vento varreu, tinha nas mãos sua história e no coração uma mágoa, era um ser de alma fraca, um ser fora do compasso, era de tão triste, bonita...

Riscado de cor-de-rosa

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 - Postado por Luiza Drumond às 12:10


O céu azul
Riscado de cor-de-rosa
Trazendo vento em tons
Amarelados.
Riscado em preto
A nuvem que deságua.
Trazendo a magoa
Em pingos grossos
Que cai um por um,
Fazendo reboliço
Na boca do estomago
Em ritmo marcado
E em hora inserta,
Deságua e despenca,
Faz curvas e evapora.
Em sabor agridoce,
Descendo a traqueia,
Passando em artérias e veias
Purificando tudo aquilo que passou.

Tiquetaqueando

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 - Postado por Luiza Drumond às 12:40




Aquela impressão nunca durou tanto, aquele movimento de vai e volta nunca foi o compasso perfeito para a aflição, tiquetaqueando no ritmo até o fim. Aquela impressão preta e branca impressa em toda folha esmagada e escrita não tinha fim, nem história e nem essência. A ausência de cor era bonita, triste e inspiradora, como um vento num dia ensolarado, um sopro num dente de leão limpando os pulmões e aliviando calmamente os ares. Era apesar de triste, bonita.

Fluindo...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012 - Postado por Luiza Drumond às 18:27


Que loucura. Hoje enquanto enxugava meu corpo do banho molhado que tomei fiquei pensando enquanto vestia a calcinha e o sutiã como aquilo tudo poderia ter acontecido em um único banho, como eu pude pensar e dizer em voz alta para mim aquele tanto de perguntas com o mesmo começo. Pensei enquanto colocava a camisola se aquela sensação louca de escrever era real ou eu estava alucinando. Pensei um pouco mais enquanto tirava a camisola e sentava na cama somente de roupas íntimas para pensar na possibilidade de tudo aquilo que pensei e disse em voz alta para mim mesma estar num papel cheio de rabiscos e doideiras. Enquanto pensava, chovia lá fora, estranhei e recoloquei a camisola, os pingos não pararam e uma descoberta me veio à cabeça. “Será a chuva ou chuveiro?” Aquela dúvida me corroia por dentro enquanto penteava meus cabelos molhados e o enrolava na minha toalha verde. “Será que depois de tantos meses de bloqueio meu poder voltara?” E outra dúvida surgiu... Enquanto estava no banho, fiz cenas, encenei perfeitamente um quarto de humor com entonações que no momento estava em perfeito tom com as minhas perguntas monótonas que realmente pareciam-me entreter e me fazer cada vez mais perguntona e indiferente. Tinha algo ali, eu tinha certeza, não era possível alguém se auto-perguntar e achar humor naquilo tudo não podia parecer normal, eu realmente sabia, sabia tanto que me peguei fechando os olhos e deixando a água entrar pelos ouvidos, acordei, senti a água descer pela garganta e me sufocar um pouquinho, tentei fugir e esfreguei as mão aos olhos com bastante força, senti o rosto arder e um gosto na garganta, era sede, era sede de saber e entender aquele momento duvidoso, e a água corria, as mãos já enrugadas e os olhos ardendo e vinha vindo, novas perguntas e novos quatros dramáticos, românticos e assustadores... Imaginei-me com um papel ali mesmo, escrevendo enquanto a água escorria pelo meu corpo enquanto eu escrevia contos, histórias, prosas e poesias. Senti outra sensação estranha, eu estava cantando com meu corpo, mente e alma, eu estava realmente cantando um samba daqueles bem canarvalescos, será?! Fechei os olhos e novamente estava eu ali, fechando os olhinhos e deixando meu ouvido tampar com o volume excessivo de água, e lá fora, chovia, parecia até música, o barulho do chuveiro se uniu a chuva, foi uma sensação gostosa, um momento sem pensar. Eu pensei em escrever na pele, no coração, na mente e na alma aquele momento, pensei que em ser e estar, pensei em procurar alguma comparação para essas palavras, para essa metamorfose que parecia mais uma frase famosa, sem sentido e escrita por escrever... Quando estava para concluir o pensamento, falhei na memória e senti uma vontade imensa de respirar. Eu me sentia quase um peixe literalmente dentro d’água, mas me senti tão humana que pude sentir a necessidade de me agasalhar... “Peixes não sentem frio.” Pensei e fiz careta, engrossei a voz dentro da mente, fiz caras e bocas e falei com uma senhora a quem me assistia, achei aquilo tudo muito estranho e resolvi acabar com aquilo tudo, pude uma vez na vida acabar com tudo que parecia me perturbar, parecia magia, algo surreal e extremamente incrível, eu pude me desligar por total, mas uma inquietação veio vindo e outras necessidades também, eu não queria rimar, não queria fazer jogos de palavras ou rabiscar uma página de algum livro para poder achar respostas em palavras escritos por alguém, eu me senti num barco, remando, deixando tudo para traz, fluindo e remando, respirando e fluindo....

0221

Postado por Luiza Drumond às 11:47

Há de ter alguma coisa além da vida, um paraíso, algo inexplicável e belo. Ligeiro, vasto e irreal. Não sei. A vida careteia, sorri, estende a mão e nos espanca. Nos tira do ilusório e nos põe novamente de pés no chão. É como um jogo, devagarzinho nos mostrando como se faz, o que é certo e errado. Como na corda bamba, perigosa e firme, meu caro, eu hei de ter na vida tudo que desejar. Não há um padrão para se seguir, nem coreografia para se dançar, não há a quem seguir, flutue, deixe a maré lhe levar. Tire os pés do chão, coloque as mãos juntos ao coração e deixe fluir...



Desejo para 2012, desejo deixar as coisas fluírem de acordo com a maré, no meu barquinho, sem deixar as coisas se dilacerarem ou me perder... Escreva-o  bem.